Os limites do necro-capitalismo feudal e do apartheid contemporâneo
DOI:
https://doi.org/10.33975/disuq.vol15n2.1513Palavras-chave:
crise civilizatória, exclusão migratória, fetichismo da verdade, tecnofeudalismo, necropolíticaResumo
O artigo analisa a mutação do capitalismo contemporâneo em direção a um modelo que produz sistematicamente exclusão e morte como condição de sua reprodução. Para tanto, reconstrói a genealogia do colonialismo como solução para as contradições internas do capitalismo continental e examina a secularização da verdade em *O Capital* como fundamento de uma nova teodiceia. O conceito de "tecnofeudalismo" apresenta-se como diagnóstico estrutural de um sistema no qual o poder é exercido mediante o controle de dados, plataformas digitais e fluxos migratórios. Integrando a necropolítica (Mbembe), a "vida nua" (Agamben) e a crítica do sacrifício como *prix de sang* (Sánchez Ferlosio), argumenta-se que a morte deixou de ser o limite ontológico do poder para se tornar seu instrumento mais refinado. A tese central sustenta que o capitalismo de plataformas não atravessa apenas mais uma crise, mas sim uma mutação terminal que exige imaginar formas de vida em comum não baseadas na acumulação infinita nem na exclusão do outro. Diante da lógica da "sobrevivência seletiva", defende-se a necessidade de reconstruir espaços de verdade dialógica a partir das margens e das subjetividades excluídas, em consonância com a tradição crítica que vai de Benjamin a Arendt.Referências
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